Projeto 1000 Mulheres pela Paz

Projeto 1000 Mulheres pela Paz

O feminismo é como um rio, que por vezes submerge e, mais adiante, corre fluido sob o sol.

Várias batalhas foram empreendidas, buscando sempre a equidade de gênero, que ora se pensou que alcançaria com o direito à educação, ora se projetou no direito ao voto. Todas essas tentativas, válidas, permitiram algum avanço mas ainda não nos levaram até onde queríamos.

Me incorporei nessa batalha desde o início dos anos 70, somando a luta contra a ditadura, com os grupos de reflexão, a multiplicação das informações, e a organização da luta por direitos das mulheres.

Na USP, onde eu estudava, comecei atuando para transformar uma proposta de dividir os custos de uma babá para tomar conta das crianças, enquanto as mães estudavam, em manifestações e passeatas por uma creche para filhos de alunas, professoras e funcionárias,  que pudesse também servir de aplicação dos conhecimentos adquiridos nas diversas faculdades relacionadas, do campus. E conseguimos!

Essa experiência foi um gancho que me deu contato com grupos de mulheres, moradoras da periferia de  São Paulo,  que batalhavam pela mesma coisa, com menor visibilidade.

Articulamos o Movimento de Luta por Creches, ousando declarar que “Os filhos não são só da mãe, e são também do interesse do Estado”.

Enquanto participava das manifestações pela redemocratização do país, pelo direito à greve, pela anistia aos exilados políticos, me envolvi também na organização do 1º congresso de mulheres trabalhadoras – as metalúrgicas do ABC. A ela se seguiram as químicas de SP, as jornalistas, as bancárias.

Aos poucos, nos demos conta que, para efetivamente ver refletidas as nossas demandas, deveríamos nós mesmas elencá-las, organizá-las e nos mobilizar por elas. Partimos então para a junção dos diversos grupos  e pessoas trabalhando no tema e organizamos o 1º, 2º e 3º. congressos da Mulher Paulista (em 1978, 79 e 80).  Já tínhamos, na época, dois jornais feministas – e eu atuava no Nós Mulheres.

Dos Congressos nasceram algumas lutas unificadas – o Movimento de Luta por Creche, seguido pelo primeiro SOS Mulher, no ano seguinte, com o objetivo de dar atendimento e visibilidade à violência de gênero.

De lá para cá, discuti em vários cantos do país, a questão do trabalho doméstico, da diferença de tratamento e salário no trabalho feminino, do trabalho noturno, da violência contra a mulher, de nossa sexualidade, dos direitos sexuais e reprodutivos etc.

Nos últimos anos, tenho abordado a transversalidade das questões de gênero – estando presentes em todos os lugares, temos uma interface com todos eles, onde surgem as nossas demandas específicas (educação incluindo nossos direitos, transporte com segurança e roteiro adequado, fraldário nos parques, valorização de nossa formação e habilidades, salários que refletem essa valorização, horários de escolas e creches compatíveis com nossa jornada de trabalho,  representação própria e paritária nos espaços de poder etc.)

Paralelamente a isso, nos últimos 8 a 10 anos, tenho também me envolvido pela democratização da mídia.

A concentração na mão de poucos, que ditam o que devemos e não devemos ver, e o que devemos pensar do que decidem nos mostrar, nos tira o direito constitucional à comunicação. A invisibilidade seletiva que a mídia tem nos imposto (não divulgando nossas demandas, nossa diversidade) a falta de pluralidade (não dando espaço aos diversos pontos de vista e se limitando a produzir a atitude desejada por eles frente aos governos, bem como consumidores para os seus anunciantes). A mídia tem nos bombardeado de imagens e valores que nos mostram como devemos ser e o que devemos desejar.

E, paralelamente a isso, naturaliza tanto a violência – ou eventualmente a espetaculariza – que eleva o patamar de sua percepção e, com isso, estimula a sua manutenção. Precisamos da implementação da proposta do marco regulatório que aprovamos na Conferência de Comunicação, precisamos democratizar efetivamente a mídia, e precisamos – preservada a liberdade de expressão de todos – estabelecer normas e parâmetros que regulem a mídia, como ocorre nas diversas democracias conhecidas.

Há outros aspectos e questões de meu interesse, mas essas duas vertentes – questões de gênero e democratização da mídia – se somam e potencializam, e tem constituído os dois pilares fundamentais de minha atuação e proposta de ação via candidatura.

 

Rachel Moreno

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Um pensamento sobre “Feminismo

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